Uma tarde melancólica

Fim do jogo.
Não se escuta nenhuma corneta a assobiar lá fora. O silêncio reina a sala, cortado apenas pelos comentários insignificantes de Galvão vindos da TV, que com o olhar incrédulo tenta se justificar pela seleção, tenta justificar a seleção, tenta se justificar em nome dos torcedores que estão a assiti-lo.

O clima frustrado vai se estabelecendo de fininho na sala e dentro de cada um, fazendo toda aquela energia reprimida durante o jogo se esvair como fumaça. E assim se abre um espaço vazio.

Na tentativa de se livrar desse “espaço vazio” criado pela frustração, alguns conseguem chorar; outros simplesmente ficam raivosos. A maioria, porém, expressa um olhar vago, à medida em que as palavras que não queríamos ouvir vão se estabelecendo pouco a pouco em nossa mente: acabou; fim da copa.

Adoro a copa do mundo. Adoro o clima, a reunião das pessoas, as conversas sobre os jogos: é a melhor época para puxar assuntos, afinal fica mais fácil, hehehe. Confesso que, como a maioria, não me animei com a seleção desde a época da convocação polêmica de Dunga. Mas também confesso que torci empolgadamente em todos os jogos, afinal lá no fundinho havia um fio de esperança rumo ao hexa.

Declaro aqui neste post a minha tristeza pelo Brasil não ter continuado. Pelo visto, ele foi atingido em cheio nos países baixos (ou pelos, você pode escolher a preposição). Declaro minha compaixão ao Júlio César, que em nome da seleção, concedeu uma das entrevistas mais emocionantes (e emocionadas) que eu já vi: o repórter idiota (normal) fala um monte de coisas idiotas de serem faladas numa situação como aquela e ainda espera resposta do jogador com o sangue quente. O jogador, humilde, tenta se expressar a fim de dar alguma satisfação aos torcedores que colocaram fé nele. Devo dizer que ele se expressou muito bem.

E devo dizer também que a lágrima que presenciamos descer de seus olhos foi compartilhada pelos milhões de brasileiros em todo o mundo, cuja esperança é a ultima que morre.

Ou não morre nunca.

Brasil, quem sabe em 2014? Continuar lendo

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Senhor, Eu jogo.

Ludo é um ser único. Bem, o que há de diferente nisso? Somos todos únicos, mas ele era um daqueles seres do contra, meio teimoso. Ludo tinha uma mania bizarra, acompanhava desde seus 15 anos a loteria, mais especificamente a QUINA. O que havia de estranho nisso era o fato de nunca ter feito uma fezinha, nunca apostou sequer um bilhetinho, pois seu pai sempre dizia: “Meu filho, se você quer enriquecer então só trabalhar, nada de jogo de azar!”. Ele colocou essa lição em sua bagagem e levou para a vida.

Na realidade, ver o resultado da quina era uma espécie de hobbie, ele morria de vontade de jogar, mas aquelas palavras do seu pai sempre atormentavam sua mente. Sempre dava lições aos amigos para não brincarem com jogos de azar, caso ele jogasse sentia que todos o julgariam, sendo assim era melhor não mexer com isso em hipótese alguma.

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