A Era do Consumismo

Era do consumismo: foi quando as pessoas aprenderam a consumir. Apenas consumir.
E tudo – música, poesia, arte, pessoas – virou um produto.

Produtos são assim: você usa quando precisa ou quando quer. Caso consiga arrumar um melhor ou mais conveniente, simplesmente troca.

É fácil de se acostumar com novos produtos. E os antigos, fácil esquece-los.

Mas aí alguém desperta e questiona: “a música/poesia/arte de hoje não é mais como era antigamente”.

Óbvio que não é: antigamente as pessoas eram tratadas como pessoas. Elas sentiam, valorizavam o sentir próprio e do próximo, e o principal, cuidavam umas das outras. Elas produziam, se doavam, mais do que consumiam.

Antes música e poesia eram sentimento; hoje, royalties e direitos autorais. Não há preocupação com o produzir.

Mas pessoas ainda são pessoas, só que mais egoístas.
Vivem dentro de suas bolhas; buscam o que é conveniente; e descartam o resto.
É uma solidão compartilhada, mas que ninguém sente até que a conveniência acabe.

Aqueles que despertaram podem propor soluções.
Quando isso acontecer, possivelmente significará o rompimento das bolhas.
Afinal, a própria ação de propor significa produzir, criar, se doar.
Verbos altruístas que estão voltados para o próximo.

E então poderemos falar: “ah, a música de hoje é ainda melhor do que a de antigamente”.

Assim espero.

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Cotidiano folgado

Era uma bela manhã nublada, mas sem chuva. Daquelas que bate um vento agradável e o céu está branquinho, branquinho. Na pressa por um almoço rápido, passo no drive-thru do Mc Donald’s, faço meu pedido e paro o carro no estacionamento para comer.

Neste momento, minha cabeça fica totalmente descansada, observando desatentamente os acontecimentos ao redor. Até que vejo uma cena bizarra.

Nas vagas da frente, uma mulher DO NADA abre a janela do carro, e joga no chão praticamente metade das batatinhas fritas dela. SIM, ela simplesmente jogou, afinal haviam alguns pombos “estacionados” na vaga do lado.

É, ela estava alimentando os pombos. Incentivando as criaturas a permanecerem ali pra sempre. E por contra própria, diga-se de passagem, afinal ela estava sozinha no carro.

O pior foi que, no momento do ato zela, tinha um carro quase entrando na vaga. Imagina se o carro entra e está com a janela aberta, e bem na hora a criatura joga as batatinhas?

Bem, o pior nem foi isso. Segundos depois, olhei para o carro do lado (um taxi) e já notei de imediato o indício de Zé ruelagem: o taxi estava parado ocupando duas vagas. Que eu saiba, uma vaga é perfeitamente suficiente para um carro, e a não ser que eu estava vesga, havia apenas um carro ali. Continuar lendo