Deus = Fé + Amizade (Parte 3 de 3)

Dalene ouviu o grito, recuou. Saiu em disparada para buscar ajuda, pois não conseguia puxá-lo. Enquanto isso lá embaixo, Tomé desesperado não sabia o que fazer. Lembrava-se dos filmes de Hollywood, pensava no seu corpo totalmente submerso. Tentava ligar desesperadamente a lanterna: nada, nada, nada. A areia já chegava em seus joelhos. Pensou na corda, mas ela estava a uns dois palmos de seu alcance, se tentasse pegar poderia afundar mais. Preferiu ficar quieto. Sentiu o cheiro abafado de chuva, procurava não pensar em morte, tentava não afobar. “Respira fundo, Tomé! Calma… calma……. calma.” Mas ainda continuava a afundar.

Começou a chorar, a visão ficou mais aguçada; sua cabeça estava a mil. Num relance viu uma grafia de cor prateada que reluzia com a pouca luz. Dizia:

“Quando não temos controle sobre a situação, deixe a situação tomar o controle de você!”

Com a areia já na altura do umbigo relaxou. Ficou como se estivesse boiando. Não viu o tempo passar, ficou ali como se fosse uma piscina. Resolveu deitar na cama da morte e convidá-la para um cochilo. Ficou ali por algum tempo, um bom tempo. Não sabia dizer ao certo quanto, talvez um hora, talvez quinze minutos. O tempo se tornou relativo.

(…)

Sentiu um algo no peito. Abriu os olhos assustado. Era a corda. Viu a silhueta de Dalene lá em cima, riu com o corpo e a alma. Prendeu a corda na altura do peito e foi içado até a superfície. Sujo, entretanto calmo. Dalene o recebeu junto a seu tio Pedro que a ajudou a puxá-lo. A cada metro as lembranças daquelas curtas horas foram ficando pra trás, como se nunca tivesse acontecido. Só restavam lembraças daquilo quando chegou ao topo.

– O que aconteceu Tomé? – Disse Pedro.

– Não sei direito. Lembro que algo em puxava para baixo e fiquei desesperado. Depois só lembro da corda bater no meu peito, me agarrando a ela e sendo puxado por vocês.

– Por que gritou por socorro? Foi a única coisa que ouvi.

– Gritei porque estava sozinho, no escuro, no fundo de um poço.

– Que bom que você está de volta. Mas você conseguiu descobrir o que era aquela luz dourada que vimos aqui de cima?

– Aqui em cima tudo é muito diferente de lá de baixo. Eu não consigo me lembrar direito do que aconteceu lá embaixo. Mas sinto como se tivesse achado algumas respostas. No escuro acham que é onde o Diabo vive, eu não, diria que é Deus.

– Sério?? Então quero ir também. Quero ver o que você viu. – Falou Dalene entusiasmada.

– Não. Não é assim. Só procure aquilo que é capaz de suportar, Dalene.

– Eu preciso ver pra acreditar.

– Se você quer acreditar em algo, acredite em mim que sou seu amigo.

Dalene após muita insistência conseguiu convencer os dois a prendê-la na corda e levá-la até o fundo do poço. Após alguns minutos:

– Socooooooooooorrrroooooo!!

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Deus = Fé + Amizade (Parte 2 de 3)

Lá de baixo Tomé conseguia observar o contorno da cabeça de Dalene. De repente a lanterna falhou, ainda ficou alguns instantes tentando encontrar aquilo que viram da superfície.

Passaram-se alguns minutos. Gritando pedia para subir a corda, mas só a via ali em cima impassível, como se nada ouvisse.

– Socorro!!

De repente, viu a silhueta de Dalene desaparecer. No fundo do poço, sem ninguém para ajudá-lo; ensaiou o desespero.

(…)

Os olhos agora já acostumados à escuridão podiam reconhecer melhor o ambiente do que antes. A lanterna voltou a acender o que ofuscou totalmente sua visão. Percebeu o fundo logo abaixo dos seus pés. Ficou de pé e então pisou.

Olhou em volta, algo estranho estava escrito naquela parede. Parou e forçou um pouco mais a visão. Viu ali escrito:

“Só procure aquilo que é capaz de suportar.”

Tomé achou estranho. Quem poderia ter escrito aquilo, ali. A letra era bonita, mostrava certa confiança. Isto não poderia ter sido escrito por alguém que ficou preso lá embaixo. Apesar de estar naquele momento sozinho, sentia-se confortável. Já não sabia se tinha medo da curiosidade, ou a curiosidade lhe trazia medo. Olhou pra cima, procurou Dalene, se virou e viu outra frase:

“Confie no seu amigo. Se não confia? Não amigo!”

Fechou os olhos. Parou. Olhou pra cima e viu a silhueta de Dalena novamente. Sentiu-se zonzo, o que aquilo tudo significava? Suas ideias corriam, quando sem perceber viu o chão na altura da canela. Olhou pra baixo e sentia cada vez mais o corpo sendo puxado pra baixo. Pensava “Não se mexa!”. O suor era a lágrima do desespero. A lanterna voltou a falhar.

– Socooooooooooooorroo!!