A Era do Consumismo

Era do consumismo: foi quando as pessoas aprenderam a consumir. Apenas consumir.
E tudo – música, poesia, arte, pessoas – virou um produto.

Produtos são assim: você usa quando precisa ou quando quer. Caso consiga arrumar um melhor ou mais conveniente, simplesmente troca.

É fácil de se acostumar com novos produtos. E os antigos, fácil esquece-los.

Mas aí alguém desperta e questiona: “a música/poesia/arte de hoje não é mais como era antigamente”.

Óbvio que não é: antigamente as pessoas eram tratadas como pessoas. Elas sentiam, valorizavam o sentir próprio e do próximo, e o principal, cuidavam umas das outras. Elas produziam, se doavam, mais do que consumiam.

Antes música e poesia eram sentimento; hoje, royalties e direitos autorais. Não há preocupação com o produzir.

Mas pessoas ainda são pessoas, só que mais egoístas.
Vivem dentro de suas bolhas; buscam o que é conveniente; e descartam o resto.
É uma solidão compartilhada, mas que ninguém sente até que a conveniência acabe.

Aqueles que despertaram podem propor soluções.
Quando isso acontecer, possivelmente significará o rompimento das bolhas.
Afinal, a própria ação de propor significa produzir, criar, se doar.
Verbos altruístas que estão voltados para o próximo.

E então poderemos falar: “ah, a música de hoje é ainda melhor do que a de antigamente”.

Assim espero.

O homem da “voz de ouro”

Imagino que muitos certamente já ouviram falar de Ted Williams. É, nesse mundo de internet, a notícia corre solta, e em segundos, uma pessoa extremamente comum consegue ganhar uma notoriedade fora do normal.

Foi exatamente o que aconteceu com Ted Williams. Ele tinha uma vida normal, e por causa de bebida e drogas ele conseguiu arriunar tudo, virando mendigo. Porém, sempre com fé ele tomou a decisão de tentar dar a volta por cima e resolveu, com toda a humildade, divulgar para o mundo o seu talento natural. Um dia a sorte (ou seria graça Divina, como ele mesmo acredita?) veio ao seu encontro, e uns caras filmaram ele, mostrando seu talento e seu apelo de ajuda para o mundo.

Como eu falei no começo, nesse mundo de tecnologia, as notícias correm. E a ajuda veio.

Vejam aqui uma reportagem portuguesa falando sobre ele:

E essa é mais uma prova que a gente sempre pode recomeçar. Sempre, não importa a idade e a condição. Dar o primeiro passo para a mudaça é preciso (como diria o Mestre Yoda, hehehe).

Sério, eu fico repetindo o vídeo toda hora, é massa demais ver esse cara falando. 😀 Continuar lendo

A história dos Beatles

Que eu gosto de Beatles não é nenhum segredo. Muitos devem imaginar que o grande motivo por trás disso é o mesmo motivo que leva qualquer pessoa a se tornar fanático por alguma banda. Naturalmente, é o mesmo motivo sim, porém com um algo a mais, que vou explicar agora.

Eram quatro garotos que não tinham muito dinheiro (eles pertenciam à “classe operária”, como chamavam na época), vivendo em uma época onde o mundo estava abalado por causa da guerra. Encontraram na música um suporte e esperança por dias melhores. Se uniram e começaram a trabalhar arduamente almejando atingir seu objetivo: fazer sucesso com uma banda de rock.

Eles fizeram sucesso – e como fizeram! Mas lá no fundo, eles meio que não levavam toda notoriedade tão a sério assim, afinal a fama é algo extremamente volátil. E eles sabiam disso, e tinham plena consciência de que tudo poderia durar um, dois ou dez anos. Quem saberia? Ninguém. Afinal, é como um amigo meu costumava dizer: “Não tenho certeza nem que o sol vai nascer amanhã”.

O sucesso foi uma explosão. O próprio John Lennon falava que era como um furacão: tudo em volta fica maluco, menos no centro, que é a parte mais calma. Eles eram o centro, e tudo em volta era o furacão. Essa metáfora não poderia ter sido melhor colocada; se você procurar no youtube pode achar vídeos da Beatlemania, mostrando as pessoas enlouquecidas por onde quer que eles passassem.

Boa parte do sucesso deles era devido ao carisma contagiante dos quatro mais a criatividade ilimitada deles. É, eles não tinham medo de ousar, e graças a essas Continuar lendo

O essencial

Ontem me mostraram um blog que falava sobre relacionamento amoroso.  Li um post, achei engraçado, e comecei a ler outros. A medida em que lia, sentia uma certa angústia; as coisas que eram discutidas lá eram reais, mas abordavam apenas um lado do relacionamento: o material. Muito se falava em como se comportar, como se vestir, estilos, traição, correr ou não correr atrás, orgulho, sexo, quem paga a conta no final, etc, etc, etc.

Sim, são coisas presentes no relacionamento e fundamentais que sejam corretamente “administradas” para que a coisa dê certo. Mas não podemos esquecer que a base de tudo não são essas coisas. Há um outro lado: o sentimento. Quando há sentimento, as coisas fluem. Quando nos permitimos ter o sentimento, os pontos materiais apenas seguem o ritmo. O sentimento é a essência, ao meu ver.

E nesse blog pouco se falava da importância desse outro lado. O relacionamento é formado pelo equilíbrio entre os aspectos materiais e o sentimento. 50% de cada.

Enfim, tinham coisas interessantes até, mas a superficialidade me deixou angustiada, como se todos estivessem submetidos a Continuar lendo

Crescer na vida = criar vínculos

Em meu aniversário (que foi há um mês atrás), eu ganhei um presente engraçado. “É para você crescer na vida”, disse meu presenteador, em meio a risos difíceis de serem contidos. E me entregou um embrulhinho prateado, ligeiramente pesado, com uma textura rígida.
Pelos risos, eu imediatamente me desfiz que qualquer expectativa. Afinal de contas, sabia que iria me surpreender, e preferi me entregar a esse sentimento. Abri o pacotinho.

Como esperava, me surpreendi. Tirei de dentro um potinho de formato cilíndrico, tampinha vermelha e uma embalagem escrito “pó royal”. Faz sentido, afinal, era pra eu “crescer na vida”. Uma piada materializada, hahaha.

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Uma tarde melancólica

Fim do jogo.
Não se escuta nenhuma corneta a assobiar lá fora. O silêncio reina a sala, cortado apenas pelos comentários insignificantes de Galvão vindos da TV, que com o olhar incrédulo tenta se justificar pela seleção, tenta justificar a seleção, tenta se justificar em nome dos torcedores que estão a assiti-lo.

O clima frustrado vai se estabelecendo de fininho na sala e dentro de cada um, fazendo toda aquela energia reprimida durante o jogo se esvair como fumaça. E assim se abre um espaço vazio.

Na tentativa de se livrar desse “espaço vazio” criado pela frustração, alguns conseguem chorar; outros simplesmente ficam raivosos. A maioria, porém, expressa um olhar vago, à medida em que as palavras que não queríamos ouvir vão se estabelecendo pouco a pouco em nossa mente: acabou; fim da copa.

Adoro a copa do mundo. Adoro o clima, a reunião das pessoas, as conversas sobre os jogos: é a melhor época para puxar assuntos, afinal fica mais fácil, hehehe. Confesso que, como a maioria, não me animei com a seleção desde a época da convocação polêmica de Dunga. Mas também confesso que torci empolgadamente em todos os jogos, afinal lá no fundinho havia um fio de esperança rumo ao hexa.

Declaro aqui neste post a minha tristeza pelo Brasil não ter continuado. Pelo visto, ele foi atingido em cheio nos países baixos (ou pelos, você pode escolher a preposição). Declaro minha compaixão ao Júlio César, que em nome da seleção, concedeu uma das entrevistas mais emocionantes (e emocionadas) que eu já vi: o repórter idiota (normal) fala um monte de coisas idiotas de serem faladas numa situação como aquela e ainda espera resposta do jogador com o sangue quente. O jogador, humilde, tenta se expressar a fim de dar alguma satisfação aos torcedores que colocaram fé nele. Devo dizer que ele se expressou muito bem.

E devo dizer também que a lágrima que presenciamos descer de seus olhos foi compartilhada pelos milhões de brasileiros em todo o mundo, cuja esperança é a ultima que morre.

Ou não morre nunca.

Brasil, quem sabe em 2014? Continuar lendo

Mandando mal na frente do chefe

E só de pensar que tudo começou com uma conversa inocente sobre tecnologia, televisão e cinema…

Espia só!

Francisquinha: Não gosto de ver filme em 3D, da ultima vez que eu fui fiquei com a vista toda embaralhada.

Lucineide: Pô, eu fiquei com dor de cabeça!

ArnaldO chefe: Falaram que um pessoal chegou a passar mal depois da sessão de Avatar né… se bem que eu acho que Avatar foi o único filme que compensou ver em 3D, porque nos outros só aparecem uns mosquitinhos fora da tela que, se calhar, são mosquitos de verdade que nem no filme estão…

Lucineide: Exato, sem falar que o ingresso é caro.

 Francisquinha: Falando em 3D, vocês já ouviram falar da nova TV em 3D?? A sony ta lançando…

ArnaldO chefe: Já existe TV em 3D?? Poxa, eu mal comprei a minha TV full HD…

Carmesinda: Ô dó… ele achou que tava top na tecnologia, e já passaram ele…

ArnaldO chefe: Pois é, achei que tava pronto pra ver a copa, comprei a TV mais fresca, cheia de coisa, full HD, nem sei o que vem nesse “full” direito…

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Pra você ver como são as coisas

Pra você ver como as coisas são. Estava eu indo ao mercado em pleno meio da tarde, um big sol de rachar no céu e um calor imenso envolvendo as pessoas.

Entro no mercado me sentindo meio tonta, imaginando em algo que eu pudesse comer para me deixar melhor.  Mas tudo que eu via não me apetecia. Peguei as coisas que eu ia comprar e me dirigi ao caixa. No caminho, passo por um freezer da Kibon, que me faz parar e pegar um suculento frutare de limão. Quer coisa melhor do que frutare de limão no calor do cão? Sério, uma demonstração simples de felicidade!

Nisso passo a me sentir beeeem melhor,  e vou para o caixa, passo minhas compras e pago, tudo com uma mão só porque a outra estava segurando o picolé.

Saio do mercado, coloco o óculos de sol e me dirijo ao carro prateado, sorrindo agradecida por estar tomando aquele picolé mara. No que paro em frente a porta do motorista, Continuar lendo