A Era do Consumismo

Era do consumismo: foi quando as pessoas aprenderam a consumir. Apenas consumir.
E tudo – música, poesia, arte, pessoas – virou um produto.

Produtos são assim: você usa quando precisa ou quando quer. Caso consiga arrumar um melhor ou mais conveniente, simplesmente troca.

É fácil de se acostumar com novos produtos. E os antigos, fácil esquece-los.

Mas aí alguém desperta e questiona: “a música/poesia/arte de hoje não é mais como era antigamente”.

Óbvio que não é: antigamente as pessoas eram tratadas como pessoas. Elas sentiam, valorizavam o sentir próprio e do próximo, e o principal, cuidavam umas das outras. Elas produziam, se doavam, mais do que consumiam.

Antes música e poesia eram sentimento; hoje, royalties e direitos autorais. Não há preocupação com o produzir.

Mas pessoas ainda são pessoas, só que mais egoístas.
Vivem dentro de suas bolhas; buscam o que é conveniente; e descartam o resto.
É uma solidão compartilhada, mas que ninguém sente até que a conveniência acabe.

Aqueles que despertaram podem propor soluções.
Quando isso acontecer, possivelmente significará o rompimento das bolhas.
Afinal, a própria ação de propor significa produzir, criar, se doar.
Verbos altruístas que estão voltados para o próximo.

E então poderemos falar: “ah, a música de hoje é ainda melhor do que a de antigamente”.

Assim espero.