… estória sem fim…

Sete da manhã, Joana acorda vai até a cama da sua mãe.
“Mamãe, não quero ir hoje para o colégio.”
“Não!!! Hoje você irá. Vista-se que te levarei.”
As duas tomam o café da manhã e novamente a filha volta-se para a mãe.
“Eu não quero ir hoje mãe. Por favor.”
“Minha filha, você vai me agradecer mais tarde. Você precisa ir pra aula. A única forma de você ter um futuro.”
Saem pela porta. Maria, a mãe, deixa sua filha Joana na porta da escola, dá o último beijo nela e vai para o trabalho.
Ao chegar lá, liga seu computador e vê a seguinte notícia:
Você deve tá se perguntando qual o fim dessa história. O detalhe é que pra mãe de Joana essa estória não tem fim.
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Assim funciona a ironia

O Brasil é um país sério. Na verdade, sério no papel, que inclusive representa muito bem, porém na prática o nosso país é bem engraçado. Veja, se o Brasil fosse meu pai observe como ele iria me tratar ao me dar um castigo.

– Pai, fiquei de recuperação na escola. (Eu falando para o meu pai Brasil.)

– Ahhh, você sabe o que acontece com quem fica de recuperação aqui em casa, não é? Aqui é castigo. Terá que ficar trancado no seu quarto por 4 semanas.

– Mas pai, minha viagem é semana que vem!

– Vou conversar com sua mãe.

Fui viajar, me divertir por uma semana e nada do meu pai, o Brasil, conversar comigo. Entretanto ao chegar em casa ele diz:

– Conversei com sua mãe e ela chegamos a conclusão que você vai ter que ficar trancado por 2 semanas. Terrível seu comportamento ao reprovar uma matéria. Terrível!!!

– Justa aplicabilidade da lei caseira meu amável pai. Obrigado. – Afinal meu pai foi Legal (tanto no sentido da lei como no sentido do pai) , me deixou viajar e ainda me concedeu apenas metade da pena. Que beleza!!!

As coisas funcionam exatamente assim Aqui. O STF não quis se decidir antes das eleições sobre a ficha limpa. Então ficou no empate e disse: “façam-se as eleições, decidimos depois!”O nosso presidente, na época, não quis escolher ninguém para fazer o 11º voto, o de desempate. Por quê? Por que isso é engraçado! E mais, ele ainda disse que deixaria a escolha do 11º ministro do STF para o próximo presidente eleito. E assim foi. Agora a pergunta, será que o próximo presidente não faria a escolha do ministro de forma casada? Como assim? Escolho você para o Supremo e seu voto será X (a favor ou contra a ficha limpa)? Seria possível? Sinceramente, acho que Não, pois o Brasil é uma país sério.

Demissão

Sempre que uma pessoa é demitida há alguém para consolar. Já aconteceu contigo? Imagine a situação onde encontra um amigo, você acabou de ser demitido.

– Opa, tudo bem João?

– Oiii Euler, tudo bem e você?

– Ahh, não sei cara, acabei de ser demitido.

Nesse momento teu amigo faz um cara de PQP (Puxa Que Phoda) afinal ele perguntou se tava tudo bem e não se você tinha sido demitido. Devido aquele momento constrangedor, seu amigo resolve te dar um apoio.

– Poxa cara, não fica assim, de repente tem algo melhor te esperando??

ALGO MELHOR? O que seria algo melhor?? O nome de um loja??? ALGO MELHOR LTDA??? Eu não preciso de algo melhor, preciso de outro emprego.

Outra situação são amigos que tentam te dar apoio mostrando o próprio exemplo.

– Que isso cara, não fique assim. Olha para mim, eu também estive na mesma situação que você, mas dei a volta por cima. Inclusive amanhã estarei indo para a Europa, quer que eu traga algo para você?

– Sim, quero que você traga seus Rins enlatados! – Pensei!!!

Porém a situação pior é quando teu amigo quer saber o Por quê?

– Mas Euler, o que aconteceu pra você ser demitido?

– Ahhh cara, já melhorei. As vezes tem algo melhor me esperando, né?

Rotina

Era uma vez um rapaz em seus 25 anos. Todos os dias ele acordava no mesmo horário, vestia o mesmo estilo/cor de roupa, e ia trabalhar. Estacionava na mesma vaga. Na hora do almoço, comia sempre no mesmo restaurante e se sentava na mesma mesa. Todo dia, a mesma coisa.

Era uma vez também uma garota em seus 22 anos. Todos os dias ia para a aula, se sentava no mesmo lugar e seguia a mesma rotina diária. Todos os dias.

Um dia o rapaz resolveu dar bom dia ao porteiro, coisa que nunca fazia. Resolveu mudar o restaurante, experimentou uma nova cor de camisa. Estacionou em uma vaga diferente até.

Um dia, a garota sentou em outro lugar na aula, e passou a ter uma perspectiva diferente da aula. Resolveu ajudar mais em casa e a deixar o café da manhã pronto para seus familiares. Mudou sua rotina.

Mudar não significa somente “ser o contrário do que é”. Mudar é também fazer algo que, até então, não fazia. É procurar pensar um pouco diferente do que veio pensando até hoje. É, também, fazer um algo a mais: tomar uma atitude, tomar uma decisão, querer mudar para melhor!

[Mitsuaki Manabe]

 

O hora certa

– Essa chuva que não para! – Dizia ela, com a voz triste.

– Eu reservei esse restaurante faz seis meses. Não vamos perdê-lo por causa de uma chuva.

– Mas tá muito forte meu bem! – A mulher falava com um tom de conformismo.

Olharam para o céu novamente, só havia nuvens e mais nuvens escuras tampando o calor do Sol. Abraçaram-se novamente, esperando que um milagre abrisse o caminho até o restaurante, que ficava a cinco quarteirões do hotel. Esperaram por mais dez minutos e nada. Chuva, chuva e chuva.

– Eu não vou ficar aqui parado esperando. Tá na hora de fazer algo. – Correu até a uma loja próxima e comprou um guarda-chuva. Voltou correndo para o hotel a fim de buscar a esposa. Ela sorriu, deu um beijo nele, agradecida. Abriram-no e pronto. Ali estava o Sol aparecendo novamente.

Os dois olharam para o céu, olharam para o guarda-chuva, olharam para o céu de novo quase como uma prece, pedindo para chover novamente.

– Não acredito que parou.

– Nem eu! – Disse a mulher sorrindo e olhando para o cabelo molhado do marido. Fecharam-no e foram andando até o restaurante.

Um homem que estava sentado do lado de dentro do hotel mostrava a situação para a filha:  “Tá vendo a importância de esperar e a importância de tomar uma atitude? Se ele toma a atitude dez minutos antes com certeza não teria o remorso de comprar um guarda-chuva novo. Se ele esperasse mais cinco minutos não precisaria de comprar um. Essa é a grande dificuldade humana, saber quando esperar e quando agir. Essa é a importância de ter o time, essa é diferença do sucesso para o fracasso!”

Crítica de cinema.

Diálogo entre pai e mãe, logo após o parto. Ao saber do sexo do filho, a mãe indaga o pai.

– Qual o nome daremos à ele?

– Que tal, Will Smith Silva Ferreira?

– Mas Will? Irão chamá-lo de Willzinho?

– Era o nome do meu vô.

– Não seu avô chamava-se Francisco Will. E desculpe meu bem, mas não combinava.

– Ok. E que tal, Johnny Depp Silva? Fica legal. O que acha?

– Clarooo! Pro amigos brigarem com ele dizendo: “Meu nome não é Jonny?” Outro!!!

– Humm… deixe-me pensar. Que tal, Tom Hanks da Silva.

– Nossa que criativo meu bem. Será que não tem nenhum sugestão que não seja ator?

– Ahhh claro. Que tal Steven Spielberg Ferreira e Silva.

– Amorzinho, coisa fofa do meu coração! ESQUECE DE CINEMA, seu filho não é astro de Hollywood. Dê um nome normal para ele.

– Calma, não precisa ficar nervosa!! Humm, nome normal??? Que tal Rodrigo???

– Gosteeei… Rodrigo é um nome bonito. Rodrigo Ferreira da Silva.

– Posso ir registrá-lo, então?

– Sim, vai sim meu amor. Adorei esse nome. Rodrigo!!!

Horas depois, de posse da certidão de nascimento do garoto, o pai volta com um sorriso no rosto.

– Amor, está ai. Rodrigo Ferreira da Silva.

Ela olha a certidão atônita:

-Você é ridículo!!!

– O que foi meu benzinho? Você mesmo disse que tava ótimo.

– Claro, ficou hiper original: “Rodrigo Ferreira da Silva Santoro.”

O tempo relativo

 

 

Hoje eu nasci denovo.

Não sei o que aconteceu, mas acordei um tanto estranho. Sonhei com meus tempos de faculdade e lembrei-me do tempo que estudava física. Olhei para o lado e lembrei da seguinte lei:

 

O espaço é relativo, a velocidade é relativa, até o tempo é relativo. Uma pessoa viajando pelo espaço na velocidade da luz, sentirá o tempo passar de uma forma diferente de outra aqui na terra.

Sinceramente, não me lembro tão bem hoje dessa teoria, mas era algo relacionado a relatividade de Einstein. E difícil não ver tal lei e se perguntar: “O que isso vai fazer diferença na minha vida?”

Como já disse, acordei meio estranho. Olhei para o lado da cama e … Primeiro, contar-lhes-ei a minha história. Fiz faculdade de engenharia na USP, não pretendo usar de falsa modéstia, mas sempre destaquei-me. Ao sair dali, abri meu próprio negócio, uma empresa de importação e exportação de produtos de engenharia. Assim como na faculdade, destaquei-me ao dirigi-la..

Com apenas três anos no mercado, já estava entre os cem maiores faturamentos do Brasil. Não tem como deixar de se entusiasmar com tamanho sucesso, ainda mais com apenas 26 anos. Dessa forma, passei a me dedicar exclusivamente ao trabalho. Quatro anos depois, a empresa já era a líder de mercado. Minha carreira profissional deslanchava, já a parte pessoal estava fraca, muitas pessoas me perguntavam sobre família e esposa. Sinceramente, essa não era minha meta, nem minha preocupação. Além disso, me faltava tempo.

Na verdade, a vida era um turbilhão de acontecimentos. A velocidade com que as coisas aconteciam às vezes me assustava. Certa vez, me senti Júlio Verne, entretanto dei a volta ao mundo em apenas oito dias. Impossível aproveitar alguma coisa, viajar sob estas condições é pior que navegar no google Earth (a caverna de Platão do século XXI). Por isso, tenho a opinião que ser dono de uma empresa pequena é fácil, difícil é ser dono de uma grande empresa,  pois quando ela cresce, os papéis se invertem; a sensação é que o dono passa a pertencer a ela.

Com tanta coisa na vida, sobrava muito pouco tempo para mim. Apenas pensava no sucesso, no poder, no dinheiro. Posso lhes dizer que o resto era consequência. Nunca me faltou muitas mulheres, favores políticos, convites. Entretanto, me faltava tempo.

Hoje acordei e pensei nessa aula de física. Como o tempo pode ser relativo? Não entrei na espaçonave de Einsten, entrei na espaçonave da minha vida, onde as coisa aconteciam na velocidade da luz, e o tempo passou diferente pra mim. Hoje tenho 60 anos, não tenho filhos, não tive esposa. Quando abri os olhos e olhei para o lado, vi minha mais nova namorada, de apenas 20 anos de idade e pensei: “Será que a diferença de idade é tão grande?” Cheguei a conclusão que não. Sei que ela está comigo devido a minha condição financeira. Se sou rico hoje é porque vendi minha juventude. Meu dinheiro representa tudo aquilo que não aproveitei quando jovem. Sendo assim, eu e minha namorada temos quase a mesma idade.

Realmente, o tempo é relativo.

A importância das aparências

Seu Jorge é um pai de família, exemplar, do tipo único. Amanheceu e ele se arrumou, tomou o café, chamou a gurizada para ir a escola. Ele estava hiper empolgado, afinal hoje era o primeiro dia com seu carro novo, um UNO branco “1985”. Sentou confortavelmente no banco, olhou para o paínel digital, afinal tudo só funcionava no dedão, e ligou o carro.

– Tac, tac, tac, tac!!!

Nada. Não ligava.

– João e David, saiam do carro, vamos empurrá-lo.

Assim foi, os dois saíram e começaram a empurrar, mas seu Jorge não iria passar essa vergonha na frente de todos os vizinhos. Ele acabará de comprar um carro “novo”, não podia mostrar que não funcionava ou que não era bom. Existe uma reputação a se manter.

– David e João, levem o carro ali para o final da garagem. Vou soltar o freio de mão e então vocês vão empurrar o carro com toda a força, quero esse carro funcionando antes de passar pelo portão, certo?

– Ok! – concordaram os garotos.

Assim foi, empurraram o carro e antes do portão o carro estava funcionando. Os meninos ficaram do lado de dentro ofegantes, enquanto seu Jorge gritava nervoso do lado de fora.

– Meninos, CADÊ vocês? Se apressem, senão deixarei vocês ai. Estão atrasados!!!

Os garotos ainda sem fôlego se entreolharam sem entender, e correram para dentro do carro com medo da fúria do pai. Ao entrarem o pai mudou a feição e com tom de gratidão lhes disse:

– Muito obrigado meninos. Vocês são de ouro!!!

Finalmente eles entenderam e começaram a rir. David tentando zoar com o pai, disse:

– As aparências enganam, né pai?

– Não meu filho, eu engano as aparências, e não o contrário.

Véspera de ano novo

Ele estava no andar de cima, terminando de se arrumar para a festa que já havia começado lá embaixo, no salão. Colocou a camisa, e ao abotoar, olhou para a janela distraído.

Lá estava o jardim, todo iluminado, bonito, com o céu escuro e estrelado à mostra. Sentados em um banquinho estavam seus avós, conversando abraçados. Distraído com a camisa, seus pensamentos tomaram conta de sua consciência e ele começou a se lembrar de algo que seu avô dissera há muito tempo:

“Filho, ano novo não é que nem carro novo.”

“Como assim, vovô?”

“Quando você tem um carro velho e vai trocar por um novo, você faz isso por não está mais satisfeito com o carro. Assim, você vai na loja, deixa seu carro velho e sai de lá com um novo, o que o deixará satisfeito.”

“Humm…não entendi.”

“Bem, você não troca o ano velho pelo novo; a noite em que se comemora o ano novo é a mesma noite de todos os dias, afinal o sol vai nascer da mesma maneira no dia seguinte. O que muda é a nossa concepção de vida. É isso que nos deixa mais fortes, saber que teremos a oportunidade de fazer diferente e melhor.”

Ele começou a rir sem perceber. Se olhou no espelho, se deliciando com a lembrança repentina, e se sentiu leve e tranqüilo. Lembrou que a cada ano que passava, ele fazia resoluções, e se deu conta que hoje ele já tinha conquistado muitas dessas. Percebeu que os ensinamentos simples, às vezes até clichê, de seu avô foram importantes.

Terminou de se arrumar, e ao sair do quarto deu uma ultima olha pela janela, no seu avô. As únicas palavras que vinham em sua mente eram “muito obrigado”. Inundado pelo sentimento de gratidão, ele apagou a luz e desceu para a festa.

Um conto na 5ª pessoa.

O que é ser a terceira pessoa numa história? Terceira pessoa é a história do Ele contada pelo Eu. Como isso funciona? Veja:

Joana é uma mulher bonita, mas acima de tudo elegante. A elegância é uma taça de vinho. Sente-se e aprecie.

Mariana também é uma mulher bonita, mas bonita diferente. Ela malha, ela corre, ela yoga. Tudo em nome do belo corpo que tem. Alguns diriam linda, outros gostosa. Eu apenas digo, uma cervejinha.

Certo dia, Joana foi ao shopping, precisava tirar dinheiro com o namorado, pois estavam fazendo três anos de namoro. Mas a vida é uma caixinha de surpresas. Drummond diria: “No caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. Eu, a primeira pessoa, digo:  “No caminho tinha uma liquidação, uma liquidação tinha no meio do caminho.” Ela parou e olhou, Dalmo seu namorado ficou ao seu lado, procurando algo interessante. E não é que achou. Lá dentro estava a bela Mariana concentrada nas roupas, ao lado do seu namorado Marcos, que também procurava algo interessante. E não é que achou. Só que estava fora da loja, a bela Joana.

Por questões de segundos, Dalmo contemplava a namorada de Marcos e Marcos contemplava  a namorada de Dalmo. Mas os segundos passam, e de repente os dois estavam se encarando, paralisados, com a cara feia e os punhos fechado… quando:

– KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK!

– KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK!

As namoradas olharam seus respectivos namorados sem entender. Os dois caíram na gargalhada. Eles, as terceiras pessoas, pensaram: “Nunca estamos satisfeitos!” Eu, a quinta pessoa, pensei: “Já tomei uma cerveja de vinho!”