A Era do Consumismo

Era do consumismo: foi quando as pessoas aprenderam a consumir. Apenas consumir.
E tudo – música, poesia, arte, pessoas – virou um produto.

Produtos são assim: você usa quando precisa ou quando quer. Caso consiga arrumar um melhor ou mais conveniente, simplesmente troca.

É fácil de se acostumar com novos produtos. E os antigos, fácil esquece-los.

Mas aí alguém desperta e questiona: “a música/poesia/arte de hoje não é mais como era antigamente”.

Óbvio que não é: antigamente as pessoas eram tratadas como pessoas. Elas sentiam, valorizavam o sentir próprio e do próximo, e o principal, cuidavam umas das outras. Elas produziam, se doavam, mais do que consumiam.

Antes música e poesia eram sentimento; hoje, royalties e direitos autorais. Não há preocupação com o produzir.

Mas pessoas ainda são pessoas, só que mais egoístas.
Vivem dentro de suas bolhas; buscam o que é conveniente; e descartam o resto.
É uma solidão compartilhada, mas que ninguém sente até que a conveniência acabe.

Aqueles que despertaram podem propor soluções.
Quando isso acontecer, possivelmente significará o rompimento das bolhas.
Afinal, a própria ação de propor significa produzir, criar, se doar.
Verbos altruístas que estão voltados para o próximo.

E então poderemos falar: “ah, a música de hoje é ainda melhor do que a de antigamente”.

Assim espero.

O medo

O medo nos impede de fazer as coisas mais legais, de expressarmos nossas características mais marcantes, de falar as coisas mais belas.

O medo gera a timidez, a vergonha; ele reprime, deprime, constrange.

A gente se embrulha no medo inconsciente, imaginando coisas, e passamos a evitar a vida. Perdemos oportunidades e deixamos pessoas bacanas simplesmente passarem. Tudo culpa dele.

Talvez se a gente tentasse arriscar, poderíamos ter um resultado frustrante. Mas pelo menos tentamos, e então podemos seguir em frente. Ou não, podemos ter sucesso. E desfrutar desse sucesso.

Cliquei sem querer num vídeo genial. Impressionante como as crianças nos inspiram:

Hi Mr. President!

Brasília amanheceu ao som de “Hi, Mr President”. Muita formalidade, segurança duplamente reforçada, recepção elegante no Palácio do Planalto e um cronograma cheio: Mr president é recebido pela Presidenta do Brasil (licença poética pelo Presidenta).

Sem dúvida alguma é um acontecimento importante para o futuro do Brasil, e para  o governo da Dilma. Assinatura de tratados e, principalmente, acordos internacionais com o maior peixe do mercado é uma certa garantia de prosperidade ou, melhor dizendo, “carta branca” para atuação em segurança. Porém, independentemente da assinatura de qualquer coisa, só o fato de Obama estar feliz na terra do carnaval e feijoada já é um bom sinal que a mídia vai divulgar para o mundo todo.

Não sou a melhor entendedora de política; não, longe de mim, apesar de eu estar me esforçando para compreender mais a cada dia. Mas posso dizer que sou um pouco entendedora de pessoas, e ao dar uma olhada superficial no conteúdo dos tratados que eles assinarão (veja aqui) analisei a coisa toda de outro jeito.

Os ventos estão soprando diferente agora. Estamos no meio de uma transição na história da humanidade que, como em toda transição, não sabemos onde vai dar. Porém, nesse caso específico, podemos chutar pelo menos qual é o direcionamento do resultado: isonomia.

A começar pelos fatos expressos: o presidente da nação que mais sofreu com segregação é afro-descendente, e com nome árabe (é fato sabido a situação entre os EUA e países do oriente médio). Ele está se encontrando com a presidenta, como a própria não se cansa de afirmar. É uma mudança de paradigma: todo o preconceito que o Americano veio lutando contra, de maneira cega, vai por água abaixo, afinal todos devem respeitar agora o cidadão que possui todas essas aquelas características tão negadas pelo povo americano durante anos. E temos uma mulher no poder, numa sociedade de origem patriarcal. E essas duas figuras estão se encontrando para formar alianças.

Não e uma questão de partidarismo político, se concordo ou não com a política deles. É uma questão maior, que inverte os conceitos formados e consolidados durante séculos na sociedade humana e que agora estão mostrando força, como se fosse uma resposta da natureza chamando pelo equilíbrio. Mulheres foram rechaçadas? Uma delas ocupa o cargo de maior poder. Negros rechaçados? Um deles ocupa o cargo de maior poder no mundo. Os excluídos por motivos desumanos estão recuperando seu lugar.

O Brasil almeja uma vaga permanente no conselho de segurança da ONU há algum tempo; Obama expressou apoio ao desejo Brasileiro. Ele até apoio a entrada da Índia no órgão. Imagino que Obama está construindo uma nova imagem aos EUA: de país “colonizador”, que se colocava acima do mundo, ele está se colocando ao lado do mundo.

Óbvio que há interesses e interesses envolvidos, econômicos principalmente. Mas não podemos ignorar a mudança dos ventos. O simbolismo é muito forte, no sentido que indica um novo direcionamento nas relações humanas.

O mais legal é ver que Barack Obama poderia passar, naturalmente, por um Barack Obama da Silva. Legal né? 😛

Rotina

Era uma vez um rapaz em seus 25 anos. Todos os dias ele acordava no mesmo horário, vestia o mesmo estilo/cor de roupa, e ia trabalhar. Estacionava na mesma vaga. Na hora do almoço, comia sempre no mesmo restaurante e se sentava na mesma mesa. Todo dia, a mesma coisa.

Era uma vez também uma garota em seus 22 anos. Todos os dias ia para a aula, se sentava no mesmo lugar e seguia a mesma rotina diária. Todos os dias.

Um dia o rapaz resolveu dar bom dia ao porteiro, coisa que nunca fazia. Resolveu mudar o restaurante, experimentou uma nova cor de camisa. Estacionou em uma vaga diferente até.

Um dia, a garota sentou em outro lugar na aula, e passou a ter uma perspectiva diferente da aula. Resolveu ajudar mais em casa e a deixar o café da manhã pronto para seus familiares. Mudou sua rotina.

Mudar não significa somente “ser o contrário do que é”. Mudar é também fazer algo que, até então, não fazia. É procurar pensar um pouco diferente do que veio pensando até hoje. É, também, fazer um algo a mais: tomar uma atitude, tomar uma decisão, querer mudar para melhor!

[Mitsuaki Manabe]

 

“…que eu quero o mesmo que você”.

Tenho andado distraído, impaciente e indeciso.

E ainda estou confuso, só que agora é diferente: estou tão tranqüilo e tão contente.

Quantas chances desperdicei, quando o que eu mais queria era provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada para ninguém.

Me fiz em mil pedaços pra você juntar. E queria sempre achar explicação pro que eu sentia.

Como um anjo caído, fiz questão de esquecer que mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira.

Mas, não sou mais tão criança a ponto de saber tudo.

Já não me preocupo se eu não sei por que; às vezes o que eu vejo quase ninguém vê; eu sei que você sabe, quase sem querer, que eu vejo o mesmo que você.

Tão correto e tão bonito, o Infinito é realmente um dos Deuses mais lindos.

Sei que às vezes uso palavras repetidas, mas quais são as palavras que nunca são ditas?

Me disseram que você estava chorando… E foi então que eu percebi como te quero tanto.

Já não me preocupo se eu não sei por que.

Às vezes o que eu vejo quase ninguém vê.

Eu sei que você sabe, quase sem querer, que eu quero o mesmo que você.

Me espanta e emociona ao mesmo tempo a maestria do Renato Russo. Sério, ele é a definição perfeita de poeta: conseguir expressar com exatidão coisas que todo mundo sente, mas não consegue explicar.

O normal é a gente pegar uma letra de música e destrinchá-la, analisá-la, traduzi-la em palavras mais simples. Nesse caso, o Renato já destrinchou, e eu vou fazer o trabalho inverso: vou dar a matéria prima.

Ele poderia apenas ter escrito: Continuar lendo

Como fazer uma dedicatória

Percebi que muita gente procura no Google dedicatórias para livros. Mas aí é que tá: não tem graça nenhuma receber um presente com dedicatória sabendo que não foi a própria pessoa que escreveu. A graça – e a magia – da coisa está em expressar nosso carinho em palavras para a pessoa especial, e essa idéia é o fundamento do tutorial a seguir.

Uma pequena observação antes: não precisa ser escritor para redigir um texto bom. Texto bom é aquele que cativa as pessoas, lembre-se disso. 😉

Passo 1: Continuar lendo

“Ser ou não ser?”

Taí um questionamento clássico, não só da literatura universal, mas da vida. É claro que a resposta é “ser” ao invés de “não ser”. Não é legal “não ser”, a sociedade não aceita, há uma pressão psicológica e quase cósmica para que você seja.

Pois bem, foi seguindo essa idéia que nosso aclamado Charlie… Peraí, Harper ou Sheen? Qual é o sobrenome dele na vida real mesmo?? Bem, na dúvida, Charlie Sharper. Continuando, seguindo essa idéia, Charlie Sharper acabou se afundando de vez.

É, aquela vida de orgias do cara bonitão (eu diria apenas inteirão, mas é uma questão de gosto) e rico que vemos na telinha da Warner Channel é uma reprodução leve da vida real do Charlie. Ele meio que interpreta seu ego real, e fora dos estúdios ele vive seu alterego. Fala sério, quem não queria viver sem fronteiras e ter a chance de expressar as vontades mais íntimas da mente? Ele pode, afinal é o protagonista da série, não tem Two and a Half Men sem o Charlie, não é mesmo?

Se ele achava que o céu era o limite, se lascou. Sr. Sharper foi oficialmente despedido. Acabou a brincadeira de “interpretando eu”, e levado pelo sentimento egoísta de escolher “ser” duas vezes, Charlie acabou “não sendo” nada pelas suas atitudes. Cara, regra básica: não se xinga seu chefe em praça pública. Se você ganha 2 milhões de dólares por episódio, você faz massagem na pessoa que te proporciona isso.

Ah, não expliquei: é que nesse contexto da demissão do Sr. Sharper, houve troca de “elogios” dele para o produtor.

É a vida. E fica a dica para os meninos que achavam o máximo ver Sr. Sharper pegando geral: vamos pensar um pouco.

Não se sabe ainda o futuro da série. Como ele saiu no meio das gravações da temporada, tudo está incerto. Parece que cogitam achar um substituto. Vamos ver.

O motivo da separação

Tenho pena da Yoko… Afinal de contas, ela é sempre tida como a grande culpada por tudo. Sim, a Yoko em questão é a Ono, e o “tudo” do “culpada por tudo” é a separação dos Beatles.

Eu, como Beatlemaníaca que sou, não acho que ela foi a grande culpada não. Existe um fator na lei da natureza que eu demorei a entender, mas depois que percebi, as coisas se tornaram um pouco claras. Agora é possível enxergar isso em vários contextos diferentes.

Os Beatles começaram como várias outras bandas também começaram naquela época: um empresário os adotou e começou a trabalhar em sua promoção. Porém, a grande diferença deles para as várias outras bandas era a essência e a atitude: eles queriam ser famosos, mas adotavam uma postura de piada, descontraída, com relação a isso; eles queriam ganhar dinheiro, mas a ostentação não tinha espaço no coração deles; eles não tinham medo de inovar e sempre buscavam ser melhores músicos. Ah, e acima de tudo, eles eram muito unidos.

Juntando tudo isso, temos Continuar lendo

Dançando na chuva

Na tentativa de ser uma boa escritora, levou algum tempo para eu perceber algo importante. Obviamente a grande meta é ser reconhecida por isso; mais óbvio ainda é saber que essa meta só será atingida depois de certo tempo de prática. Até lá, terei minha oportunidade de escrever todos os meus textos ruins para, então, registrar os bons.

Voltando ao algo importante, sim… percebi que mais importante do que atingir a minha meta é saber reconhecer os textos bons das outras pessoas. Além de ser um treino de humildade, é um fato que, de alguma maneira, envolve a natureza humana: é impossível se atingir o nível máximo de algo; sempre há mais um degrau a subir, e o verdadeiro expert é aquele que nunca para de subir. Em outras palavras, se sempre há mais um degrau, sempre há alguém melhor do que nós.

Com essa idéia, decidi compartilhar um mini-texto que, apesar da extrema objetividade, é um dos textos mais perfeitos que eu já li. É de autoria desconhecida, mas aposto que a pessoa que disse (ou escreveu) isso é um grande sábio. Leia, e entenderá o porquê. 🙂

“Viver não é esperar a tempestade passar; é aprender a dançar na chuva.”

Vamos todos dançar na chuva, porque é algo realmente divertido de se fazer! 😀

Em busca de um pouco de inspiração

Inspirar – é quando você puxa o ar para dentro do corpo, e esse ar entra nos pulmões, oxigena células (leigamente falando) e é responsável por mantê-lo vivo. Mas disso todo mundo sabe, consciente ou inconscientemente.

Todo mundo também sabe que a coisa que move os poetas, músicos e artistas a criarem suas obras primas, ou que move todas as pessoas a criarem/fazerem coisas boas/interessantes é a inspiração. Claro, nesse segundo caso, além da inspiração do ar, eles fazem uso de outra inspiração. E é sobre ela que gostaria de falar um pouco.

Imagine uma situação: você acorda, e começa a se preparar para suas obrigações diárias. Se arruma, toma um café da manhã sem gosto, apenas com o intuito de não fazer você passar mal de fraqueza. Sai de casa em rumo à sua primeira obrigação (que você detesta, diga-se de passagem), e segue seu dia totalmente vazio de entusiasmo.

Na hora do almoço, come uma comida ruim e não se importa muito com esse detalhe, afinal o que vale é estar alimentado e não passar mal de fraqueza. Retorna às suas obrigações, que você detesta, diga-se novamente de passagem.

No fim do dia, chega em casa morto, come qualquer besteirinha, e vai dormir. E a rotina se repete.

“Credo!”, seria uma palavra que viria em minha mente ao imaginar uma situação dessas. E como uma professora minha disse uma vez, “quando a palavra é boa, ela não precisa de explicação”. Assim, acredito na eloqüência do meu “credo!” hehehe.

Agora imagina outra coisa: você acorda, e só de olhar pra janela e ver o dia começando já sente boas expectativas. Levanta, se arruma com esmero, se preocupando em se arrumar adequadamente. Prepara um café com carinho, apreciando cada mordida de torrada com geléia, ou cada gole de suco ou café. Sai de casa em rumo à sua primeira obrigação (que você gosta, diga-se de passagem; você é do tipo que busca fazer aquilo que gosta), e segue seu dia procurando fazer o melhor, renovando expectativas e sorrindo muito.

Na hora do almoço, procura comer uma comida saborosa, e aprecia cada garfada. Retorna às suas obrigações, que você gosta, diga-se novamente de passagem.

No fim do dia, chega em casa relativamente cansado, mas satisfeito. Prepara uma ultima refeição do dia, ouve uma música, assite um filme ou lê um livro. Procura entrar em contato com pessoas queridas, e vai dormir sentindo uma tranqüilidade e leveza dentro de si. E não há rotina a se repetir, pois você busca sempre coisas novas, agradáveis e divertidas.

“Aí sim!”, seriam duas palavras que viriam em minha mente ao imaginar – e viver – uma situação dessas.

Minha professora tinha razão quando disse aquilo sobre as palavras boas. Afinal, não vejo lógica melhor do que chamar de inspiração aquilo que faz as pessoas produzirem seu melhor: inspiração é o que nos mantém vivos; seja a do ar, seja a da vida.

Continuar lendo