O hora certa

– Essa chuva que não para! – Dizia ela, com a voz triste.

– Eu reservei esse restaurante faz seis meses. Não vamos perdê-lo por causa de uma chuva.

– Mas tá muito forte meu bem! – A mulher falava com um tom de conformismo.

Olharam para o céu novamente, só havia nuvens e mais nuvens escuras tampando o calor do Sol. Abraçaram-se novamente, esperando que um milagre abrisse o caminho até o restaurante, que ficava a cinco quarteirões do hotel. Esperaram por mais dez minutos e nada. Chuva, chuva e chuva.

– Eu não vou ficar aqui parado esperando. Tá na hora de fazer algo. – Correu até a uma loja próxima e comprou um guarda-chuva. Voltou correndo para o hotel a fim de buscar a esposa. Ela sorriu, deu um beijo nele, agradecida. Abriram-no e pronto. Ali estava o Sol aparecendo novamente.

Os dois olharam para o céu, olharam para o guarda-chuva, olharam para o céu de novo quase como uma prece, pedindo para chover novamente.

– Não acredito que parou.

– Nem eu! – Disse a mulher sorrindo e olhando para o cabelo molhado do marido. Fecharam-no e foram andando até o restaurante.

Um homem que estava sentado do lado de dentro do hotel mostrava a situação para a filha:  “Tá vendo a importância de esperar e a importância de tomar uma atitude? Se ele toma a atitude dez minutos antes com certeza não teria o remorso de comprar um guarda-chuva novo. Se ele esperasse mais cinco minutos não precisaria de comprar um. Essa é a grande dificuldade humana, saber quando esperar e quando agir. Essa é a importância de ter o time, essa é diferença do sucesso para o fracasso!”

Em busca de um pouco de inspiração

Inspirar – é quando você puxa o ar para dentro do corpo, e esse ar entra nos pulmões, oxigena células (leigamente falando) e é responsável por mantê-lo vivo. Mas disso todo mundo sabe, consciente ou inconscientemente.

Todo mundo também sabe que a coisa que move os poetas, músicos e artistas a criarem suas obras primas, ou que move todas as pessoas a criarem/fazerem coisas boas/interessantes é a inspiração. Claro, nesse segundo caso, além da inspiração do ar, eles fazem uso de outra inspiração. E é sobre ela que gostaria de falar um pouco.

Imagine uma situação: você acorda, e começa a se preparar para suas obrigações diárias. Se arruma, toma um café da manhã sem gosto, apenas com o intuito de não fazer você passar mal de fraqueza. Sai de casa em rumo à sua primeira obrigação (que você detesta, diga-se de passagem), e segue seu dia totalmente vazio de entusiasmo.

Na hora do almoço, come uma comida ruim e não se importa muito com esse detalhe, afinal o que vale é estar alimentado e não passar mal de fraqueza. Retorna às suas obrigações, que você detesta, diga-se novamente de passagem.

No fim do dia, chega em casa morto, come qualquer besteirinha, e vai dormir. E a rotina se repete.

“Credo!”, seria uma palavra que viria em minha mente ao imaginar uma situação dessas. E como uma professora minha disse uma vez, “quando a palavra é boa, ela não precisa de explicação”. Assim, acredito na eloqüência do meu “credo!” hehehe.

Agora imagina outra coisa: você acorda, e só de olhar pra janela e ver o dia começando já sente boas expectativas. Levanta, se arruma com esmero, se preocupando em se arrumar adequadamente. Prepara um café com carinho, apreciando cada mordida de torrada com geléia, ou cada gole de suco ou café. Sai de casa em rumo à sua primeira obrigação (que você gosta, diga-se de passagem; você é do tipo que busca fazer aquilo que gosta), e segue seu dia procurando fazer o melhor, renovando expectativas e sorrindo muito.

Na hora do almoço, procura comer uma comida saborosa, e aprecia cada garfada. Retorna às suas obrigações, que você gosta, diga-se novamente de passagem.

No fim do dia, chega em casa relativamente cansado, mas satisfeito. Prepara uma ultima refeição do dia, ouve uma música, assite um filme ou lê um livro. Procura entrar em contato com pessoas queridas, e vai dormir sentindo uma tranqüilidade e leveza dentro de si. E não há rotina a se repetir, pois você busca sempre coisas novas, agradáveis e divertidas.

“Aí sim!”, seriam duas palavras que viriam em minha mente ao imaginar – e viver – uma situação dessas.

Minha professora tinha razão quando disse aquilo sobre as palavras boas. Afinal, não vejo lógica melhor do que chamar de inspiração aquilo que faz as pessoas produzirem seu melhor: inspiração é o que nos mantém vivos; seja a do ar, seja a da vida.

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O que é real?

O que é real? E o que não é?

O questionamento a respeito de sua origem e finalidade é algo que dá voltas na mente do ser humano desde os tempos mais remotos. Por que nascemos? Para que nascemos? Para onde vamos depois da vida?

Quando eu era pequena, eu costumava me questionar a respeito dessa origem. Pensava, “e se não existisse vida, como seria?” e também “por que eu tenho uma consciência? E se eu não tivesse?”. Pensava a respeito da existência de Deus, será que ele existe mesmo? Eu não tinha dúvidas de que existe de fato uma força maior do que o ser humano, que é a responsável pela natureza (ou é a própria natureza). Porém, me indagava a respeito da forma que essa tal força poderia assumir (Deus? Seres de outro planeta? Uma energia concentrada?).

Essas idéias foram reavivadas hoje depois de ter assistido ao filme A Origem. É, sou atrasada de cinema, mas paciência, só fui ver hoje.

O filme fala a respeito do funcionamento da mente humana; como ela se expressa por meio das lembranças e sonhos, e como o subconsciente (que seria uma espécie de caixa-preta) pode atuar dentro de seus limites. Assim, no filme há uma tecnologia que permite “entrar” na mente das pessoas por meio do sonho, e assim compartilhar memórias e pensamentos, podendo-se atingir até informações “escondidas” pelo subconsciente.

De alguma forma, essa relação sonho – mente – subconsciente faz indagar a respeito da realidade: o sonho é o reflexo do real? Ou o real é o reflexo do sonho, que é a expressão do nosso subconsciente? (Em outras palavras, o real não é real). Continuar lendo

Sem ar…

Certa vez, escrevi sobre a liberdade, contrastando-a com amarras sociais, tais como as leis. Falando assim pareço até um militante do PT dos anos 80.

As relações humanas são cheias de medos, devido as possibilidades de castigo. Pais e filhos, chefes e empregados, marido e mulher. Diversas vezes, é preferido o silêncio em detrimento do diálogo, devido a coação psicológica que há nessas relações.

Na sociedade livre em que vivemos a coação psicológica ganhou força, já que não há mais coação física como o que aconteceu na nossa ditadura militar. O que acho ridículo, é de vez em quando ouvir jovens idiotas dizendo que a ditadura é melhor do que nossa democracia. Não que eu ache a situação política atual a ideal, mas ser coagido pelo pensamento não é o caminho para evolução, nem social, nem científica.

Se mesmo assim você ainda acha que ditadura é melhor, observe o trabalho de Jodi Bibier. Ela fez a fotografia de Aisha Bibi, uma jovem afegã que teve as orelhas e o nariz amputados por não obedecer ao seu marido, que a mantinha em condições de escravidão. Fonte.

Ééé, pode parecer piada, mas é importante a gente não se preocupar apenas com os nossos narizes. Perdê-lo não é nada, o problema é se sentir sufocado amigo!

Ser ou não ser, eis a resposta!

A mãe e seu filho conversando sobre vestibular:

– Mãe, que curso eu faço?

– Ahh meu filho, meu sonho sempre foi te ver como um médico!

– Pai, e você o que acha de medicina?

– Meu filho, no seu lugar, faria engenharia.

– Mas pai, não sei, não gosto disso.

– Meu filho, engenharia é coisa de gente inteligente.

– Lúcio, meu irmão. O que você acha eu fazer engenharia?

– Cara, sinceramente, faz música. Muito mais legal maninho!!

– Vô, qual curso eu escolho?

– Meu filho. O curso que você dará a sua vida depende mais de você do que de suas escolhas. Um grande escritor, uma vez disse: Ser ou não ser, eis a questão? Bem, a gente não tem que ser nada. temos que ser o que somos. Nunca pense em que curso você fará, pense sempre que curso você tomará. Assim fica mais fácil de visualizar seu caminho. Então meu neto, ser ou não ser…? Você é a resposta!

O garoto correu até os pais e disse-lhe:

– Pai, mãe. Quero ser artista!!!

Eis a resposta.

Tenis x Frescobol

Eu não tenho palavras para descrever a sensação de ler um texto bom. Texto bom do tipo que toca na alma, chacoalha a mente, faz pensar, promove mudança e entendimento.

Ao longo da vida eu tive a sorte de me deparar com alguns textos desse tipo. Talvez foi graças a eles que decidi me aventurar nesse caminho de escrever, buscando, algum dia, poder tocar as pessoas da mesma maneira que eles fizeram comigo.

Assim, hoje eu li um texto genial, e não vejo motivos para não divulgá-lo com todos. É do Rubem Álves, e aqui você pode encontrar mais textos geniais.

Deliciem-se! 🙂

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Sentimento inicial

Hoje eu acordei diferente. Abri os olhos e não dei a levantada abrupta habitual. Não, eu simplesmente abri os olhos, e fiquei ali, olhando para o teto. Vi através da cortina o brilho do sol, e ao afastar apenas uma frestinha, ainda deitada, pude ver o céu azul, sem nenhuma nuvem no céu.

Sentei na cama e abri a cortina de vez. O dia estava lindo, do jeito que eu gosto: céu azul, sol, árvores verdes e um vento refrescante para contrastar com o calor. Levantei e fui me arrumar. Durante todo esse procedimento habitual, havia algo de diferente, mas eu ainda não havia parado para refletir de verdade. No pensamento, só corriam idéias soltas flutuantes.

Escovar dentes – banho – escolher a roupa – vestir a roupa.

Me olho no espelho e vejo que há algo de diferente. Pego o pente e começo a pentear vagarosamente os cabelos. Encaro o espelho, mas sem olha-lo de fato. De relance, vejo um reflexo colorido, e ao olhar na direção do reflexo, é uma revista com uma manchete chamativa. Leio a manchete. Continuar lendo

Arte de Ipad

A pouco tempo tive a oportunidade de adquirir um Ipad. Meu objetivo aqui não é fazer nenhum tipo de propaganda, até porque não tô ganhando nada com isso. Eu após um mês de uso digo-lhes, é fenomenal. Tem gente que acha o Ipad o símbolo do consumismo desordenado. Outros acham que é apenas um itouch maior. Eu o acho prático.

A possibilidade de criar arte através dele me deixou entusiasmado. Nunca fiz um curso de pintura, e experimentá-la através de um computador é algo interessante. Espero que gostem e se não gostarem, por favor, críticas são validas. Deixo-lhes com uma mensagem sobre a arte:

A finalidade da arte é dar corpo às essências secreta das coisas, não é copiar sua aparência. (Aristóteles)

 

Um vídeo para quem quer se impressionar.