O casal perfeito.

 

Um amigo de faculdade escreve num blog e tem textos bem interessantes. Achei interessante e resolvi postar o último texto dele. Pra quem quiser conhecê-lo fica o link do Filipe. http://avozdofilipe.blogspot.com/
Manter um relacionamento com alguém não é fácil, nunca foi e nunca será. Seja com nossos pais, seja com nossos amigos, seja com a pessoa com a qual dividiremos o findar dos nossos dias. Um relacionamento sem amor não se sustenta e tende a falência, assim como um relacionamento sem cumplicidade. Cumplicidade essa nas grandes e nas pequenas coisas. Temos que ser cúmplices nas idéias, nas grandes edificações e até mesmo nas cagadas do dia-a-dia. Baseado nessa idéia hoje descrevo uma situação que vivenciei e me fez pensar. Aproveite.


Como eu estava com fome! Estava eu no meu horário de almoço perambulando pelo shopping center sem saber o fazer. Naquele momento me senti uma mulher batendo pernas, algo que critico tanto em minha mãe , e essa, me desculpe, fica pra depois.  A barriga roncava como um motor Volvo puxador de trator. As cobras intestinais se remoíam numa briga incessante para matar a fome. Não teve jeito, tive que almoçar por lá mesmo.
Depois de fazer o pedido procurei uma mesa para me sentar, coisa muito non grata naquelas horas. O shopping estava lotado, tão lotado que tive que um casal teve que dividir mesa comigo. Me sentei a direita deles e eles, logicamente, ficaram a minha esquerda.  Coloquei a minha mochila na mesa e esperei pacientemente o meu pedido chegar. De repente chegou outro casal, a minha direita.

Não sei o porquê daquilo, mas no momento me lembrei da minha namorada. Lembrei do quanto a gente se amava (e se ama) e fiquei imaginando como a gente seria quando chegássemos a posteridade. Viajei, viajei demais. Mas a viajem não foi o bastante, gostaria de um exemplo ali no momento, ao vivo e a cores. E, como mágica, os exemplos estavam lá: os dois casais que estavam ao meu lado.
Então, comecei a observar os dois casais. O casal da direita era até simpático mas não era o que imaginava como modelo a ser seguido. Primeiro pelas roupas. Os dois vestiam da cintura para cima azul e da cintura para baixo preto. Sabe aquela roupa de irmãos gêmeos? Era daquele tipo. Continuei observando e o silêncio entre eles incomodava. Eles não se falavam, os olhares não se encontravam, pareciam mais primos do que marido e mulher. Eu achei estranho demais e fiquei desapontado. Não vi cumplicidade, não senti o cheiro do amor que exala de nós quando estamos apaixonados. Não sei, não queria aquilo para mim.
Enfim, virei para a esquerda e não me arrependi. Senti amor ali, amor demais. Mesmo sendo idosos fiquei chocado pelo modo que eles se olhavam. Era olho no olho, alma na alma. O senhor pegava na mão de sua senhora enquanto conversava com ela, coisa bem de enamorado mesmo. Imaginei os filhos desse casal, imaginei o quanto de amor eles receberam desses pais. Amor ali não faltava, pareciam dois jovens que namoravam pela primeira vez. Definitivamente era aquilo que eu queria para mim. Queria que a Maíra e eu ficássemos velhinhos daquele jeito, cúmplices até a alma. Esse era o meu desejo e permanece em mim até hoje.
Infelizmente, ou felizmente, o meu pedido chegou minutos depois desse exercício maluco. As lombrigas estavam a beira da morte e eu tinha que alimentá-las. O meu almoço naquele dia foi especial. Descobri que não fazer o DIREITO nem sempre é sinônimo de fazer errado. Aquele casal que o diga.

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2 respostas em “O casal perfeito.

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