A história dos Beatles

Que eu gosto de Beatles não é nenhum segredo. Muitos devem imaginar que o grande motivo por trás disso é o mesmo motivo que leva qualquer pessoa a se tornar fanático por alguma banda. Naturalmente, é o mesmo motivo sim, porém com um algo a mais, que vou explicar agora.

Eram quatro garotos que não tinham muito dinheiro (eles pertenciam à “classe operária”, como chamavam na época), vivendo em uma época onde o mundo estava abalado por causa da guerra. Encontraram na música um suporte e esperança por dias melhores. Se uniram e começaram a trabalhar arduamente almejando atingir seu objetivo: fazer sucesso com uma banda de rock.

Eles fizeram sucesso – e como fizeram! Mas lá no fundo, eles meio que não levavam toda notoriedade tão a sério assim, afinal a fama é algo extremamente volátil. E eles sabiam disso, e tinham plena consciência de que tudo poderia durar um, dois ou dez anos. Quem saberia? Ninguém. Afinal, é como um amigo meu costumava dizer: “Não tenho certeza nem que o sol vai nascer amanhã”.

O sucesso foi uma explosão. O próprio John Lennon falava que era como um furacão: tudo em volta fica maluco, menos no centro, que é a parte mais calma. Eles eram o centro, e tudo em volta era o furacão. Essa metáfora não poderia ter sido melhor colocada; se você procurar no youtube pode achar vídeos da Beatlemania, mostrando as pessoas enlouquecidas por onde quer que eles passassem.

Boa parte do sucesso deles era devido ao carisma contagiante dos quatro mais a criatividade ilimitada deles. É, eles não tinham medo de ousar, e graças a essas ousadias surgiram várias técnicas e estilos musicais aos quais estamos habituados atualmente e nem imaginamos da onde vieram.

A coisa toda durou dez anos. Quero dizer, dez anos com eles atuando e produzindo, afinal os Beatles são os Beatles mesmo 50 anos depois. Mas uma hora ou outra, ou a coisa iria acabar, ou iria perder as forças até sumir. Era inevitável, afinal o ser humano também tem outras necessidades. Essas necessidades começaram a falar mais alto para os Beatles, e naturalmente começaram a surgir outras prioridades na vida deles. Continuar com a banda não fazia sentido algum se eles não estivessem curtindo e se dedicando. E assim, o ciclo se encerrou.

Muitos culparam a Yoko pelo fim. Não, não acho que ela seja culpada. Da mesma forma que John se apaixonou, George estava em seu momento de aprimoramento e elevação espiritual com os ensinamentos indianos. Paul era quase um workaholic, e Ringo estava se sentindo distante dos outros.

Se eles forçassem a barra, a coisa não iria “vingar”. Da mesma maneira que fluiu durante dez anos, chegou um ponto em que tinha que terminar.

Eu considero a história deles altamente inspiradora para os momentos de confusão. É, ta aí um dos motivos que me fascina neles. O que eu mais gosto da história é perceber que, nos relacionamentos humanos em geral, a coisa mais difícil é aceitar que o outro pensa diferente de você; principalmente se o outro é uma pessoa muito querida.

É engraçado porque isso é muito difícil de se perceber, mas uma vez que é percebido, tudo fica mais fácil e simples. A gente é tão acostumado a impor nosso ego que nem percebemos que o outro apenas pensa diferente, e por mais que isso machuque, é importante respeitar. Quando se respeita, significa respeitar o ritmo que a natureza leva as coisas, e esse ritmo é representado pelo “fluir das coisas”.

Falo isso de uma maneira generalizada, afinal cabe em TODOS os casos de relacionamento humano: familiar, amigos, namoro, casamento, profissional, etc, etc, etc. Mas a título de ilustração, o caso mais comum é o coração partido.

Quem aqui nunca gostou de alguém e não foi correspondido? É, uma sensação muito ruim não? O sofrimento é causado pelo nosso ego, que não consegue aceitar simplesmente que a outra pessoa não quer o mesmo que nós.   Aceitar isso significa aceitar a rejeição, e isso (acredito eu) é uma das piores sensações do mundo.

Esse é um dos pontos que me chamam a atenção na história deles. Há muita coisa interessante para se falar, mas que fica para depois. Entretanto, vale falar mais uma coisinha:

A última música que eles gravaram, e que foi a última faixa do último disco chama-se The End. E a última frase é a segiunte: “And in the end, the love you take is equal to the Love you make” (E no fim, o amor que você recebe é igual ao amor que você faz).

Simples e enigmático. Perfeito para um final de efeito. 🙂

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s