Véspera de ano novo

Ele estava no andar de cima, terminando de se arrumar para a festa que já havia começado lá embaixo, no salão. Colocou a camisa, e ao abotoar, olhou para a janela distraído.

Lá estava o jardim, todo iluminado, bonito, com o céu escuro e estrelado à mostra. Sentados em um banquinho estavam seus avós, conversando abraçados. Distraído com a camisa, seus pensamentos tomaram conta de sua consciência e ele começou a se lembrar de algo que seu avô dissera há muito tempo:

“Filho, ano novo não é que nem carro novo.”

“Como assim, vovô?”

“Quando você tem um carro velho e vai trocar por um novo, você faz isso por não está mais satisfeito com o carro. Assim, você vai na loja, deixa seu carro velho e sai de lá com um novo, o que o deixará satisfeito.”

“Humm…não entendi.”

“Bem, você não troca o ano velho pelo novo; a noite em que se comemora o ano novo é a mesma noite de todos os dias, afinal o sol vai nascer da mesma maneira no dia seguinte. O que muda é a nossa concepção de vida. É isso que nos deixa mais fortes, saber que teremos a oportunidade de fazer diferente e melhor.”

Ele começou a rir sem perceber. Se olhou no espelho, se deliciando com a lembrança repentina, e se sentiu leve e tranqüilo. Lembrou que a cada ano que passava, ele fazia resoluções, e se deu conta que hoje ele já tinha conquistado muitas dessas. Percebeu que os ensinamentos simples, às vezes até clichê, de seu avô foram importantes.

Terminou de se arrumar, e ao sair do quarto deu uma ultima olha pela janela, no seu avô. As únicas palavras que vinham em sua mente eram “muito obrigado”. Inundado pelo sentimento de gratidão, ele apagou a luz e desceu para a festa.

O casal perfeito.

 

Um amigo de faculdade escreve num blog e tem textos bem interessantes. Achei interessante e resolvi postar o último texto dele. Pra quem quiser conhecê-lo fica o link do Filipe. http://avozdofilipe.blogspot.com/
Manter um relacionamento com alguém não é fácil, nunca foi e nunca será. Seja com nossos pais, seja com nossos amigos, seja com a pessoa com a qual dividiremos o findar dos nossos dias. Um relacionamento sem amor não se sustenta e tende a falência, assim como um relacionamento sem cumplicidade. Cumplicidade essa nas grandes e nas pequenas coisas. Temos que ser cúmplices nas idéias, nas grandes edificações e até mesmo nas cagadas do dia-a-dia. Baseado nessa idéia hoje descrevo uma situação que vivenciei e me fez pensar. Aproveite.


Como eu estava com fome! Estava eu no meu horário de almoço perambulando pelo shopping center sem saber o fazer. Naquele momento me senti uma mulher batendo pernas, algo que critico tanto em minha mãe , e essa, me desculpe, fica pra depois.  A barriga roncava como um motor Volvo puxador de trator. As cobras intestinais se remoíam numa briga incessante para matar a fome. Não teve jeito, tive que almoçar por lá mesmo.
Depois de fazer o pedido procurei uma mesa para me sentar, coisa muito non grata naquelas horas. O shopping estava lotado, tão lotado que tive que um casal teve que dividir mesa comigo. Me sentei a direita deles e eles, logicamente, ficaram a minha esquerda.  Coloquei a minha mochila na mesa e esperei pacientemente o meu pedido chegar. De repente chegou outro casal, a minha direita.

Não sei o porquê daquilo, mas no momento me lembrei da minha namorada. Lembrei do quanto a gente se amava (e se ama) e fiquei imaginando como a gente seria quando chegássemos a posteridade. Viajei, viajei demais. Mas a viajem não foi o bastante, gostaria de um exemplo ali no momento, ao vivo e a cores. E, como mágica, os exemplos estavam lá: os dois casais que estavam ao meu lado.
Então, comecei a observar os dois casais. O casal da direita era até simpático mas não era o que imaginava como modelo a ser seguido. Primeiro pelas roupas. Os dois vestiam da cintura para cima azul e da cintura para baixo preto. Sabe aquela roupa de irmãos gêmeos? Era daquele tipo. Continuei observando e o silêncio entre eles incomodava. Eles não se falavam, os olhares não se encontravam, pareciam mais primos do que marido e mulher. Eu achei estranho demais e fiquei desapontado. Não vi cumplicidade, não senti o cheiro do amor que exala de nós quando estamos apaixonados. Não sei, não queria aquilo para mim. Continuar lendo

Ano Novo

Todo ano a MESMA coisa, ANO NOVO, VIDA NOVA. Irônico, não?

Quais os sonhos você tem para o próximo ano? Seriam os mesmos do ano passado? Sinal que esse ano não tenha sido tão novo assim, certo?

O Ano Novo combina com superstições velhas. Isso é algo muito intrigante. Você tem de vestir brancos, comer lentinhas, jogar Roman, colocar algum objeto estranho na carteira, tudo para que o próximo ano, alguma entidade sobrenatural te dê a dádiva de um bom ano. E você ainda acha que seu filho ainda é criança, só pelo fato dele acreditar em papai Noel.

O que de fato muda no passar de um ano para o outro? De fato, nada muda, a não ser o fato de o produtor de lentinhas e de roupas brancas estarem mais ricos em janeiro.

Eu não quero jogar Roman, comer lentinha, usar roupa branca, quero um texto novo para um ano novo. Enfim, eu gostaria de um monte de coisas novas, nesse próximo ano velho.

Eu gostaria de ver pessoas menos preocupadas com a fome na áfrica, e mais pessoas preocupadas com os vizinhos.

Eu gostaria de ver menos novelas e mais seriados.

Eu gostaria de ver pessoas que se sentam numa mesa de bar, não para reclamar da vida,  mas para celebrar a vida.

E eu gostaria de agradecer a esse ano, que foi proporcional ao que dei a ele. Se ele me deu alegria, foi porque proporcionei alegria a quem esteve próximo de mim. Gostaria de agradecer a minha família, que faz a minha VIDA ter sentido. Gostaria de agradecer a minha namorada, que me ensina: “a base do AMOR é o respeito”. Agradecer a Lu que agüenta vários textos ruins meus, e mesmo assim estimula que eu continue escrevendo. Haha. E gostaria de agradecer aos amigos, que dão sentido aos anos velhos, e me faz ter esperança de um ano novo.


A história dos Beatles

Que eu gosto de Beatles não é nenhum segredo. Muitos devem imaginar que o grande motivo por trás disso é o mesmo motivo que leva qualquer pessoa a se tornar fanático por alguma banda. Naturalmente, é o mesmo motivo sim, porém com um algo a mais, que vou explicar agora.

Eram quatro garotos que não tinham muito dinheiro (eles pertenciam à “classe operária”, como chamavam na época), vivendo em uma época onde o mundo estava abalado por causa da guerra. Encontraram na música um suporte e esperança por dias melhores. Se uniram e começaram a trabalhar arduamente almejando atingir seu objetivo: fazer sucesso com uma banda de rock.

Eles fizeram sucesso – e como fizeram! Mas lá no fundo, eles meio que não levavam toda notoriedade tão a sério assim, afinal a fama é algo extremamente volátil. E eles sabiam disso, e tinham plena consciência de que tudo poderia durar um, dois ou dez anos. Quem saberia? Ninguém. Afinal, é como um amigo meu costumava dizer: “Não tenho certeza nem que o sol vai nascer amanhã”.

O sucesso foi uma explosão. O próprio John Lennon falava que era como um furacão: tudo em volta fica maluco, menos no centro, que é a parte mais calma. Eles eram o centro, e tudo em volta era o furacão. Essa metáfora não poderia ter sido melhor colocada; se você procurar no youtube pode achar vídeos da Beatlemania, mostrando as pessoas enlouquecidas por onde quer que eles passassem.

Boa parte do sucesso deles era devido ao carisma contagiante dos quatro mais a criatividade ilimitada deles. É, eles não tinham medo de ousar, e graças a essas Continuar lendo

Feliz Natal!

Leitores queridos do meu, do nosso coração,

Venho aqui em nome do Ermo do Lampião desejar que vocês tenham os melhores Natal e Ano Novo da vida de vocês. Que em 2011 continuemos juntos compartilhando idéias, ou apenas jogando conversa fora, aqui no blog!

Uma singela homenagem de natal. Afinal de contas, de desenhista e escritor, todo mundo tem um pouco! 😀

Na foto: árvore de natal, eu e o Euler.

Cadê meu mojo?

Vou fazer uma confissão aqui: perdi meu mojo.

E é por isso que não consigo escrever. Tenho uma pasta cheia de textos pela metade, textos totalmente impossibilitados de serem publicados, em respeito às pessoas que lêem o blog.

Demorei um pouco pra perceber que tinha perdido meu mojo. Eu já havia percebido que algo estava errado, o sol não brilhava como antes, e um belo fim de tarde me fazia compartilhar da melancolia natural que ele inspira, ao invés de fortalecer minha empolgação costumeira.

Mojo, para quem não sabe, é Continuar lendo

Um conto na 5ª pessoa.

O que é ser a terceira pessoa numa história? Terceira pessoa é a história do Ele contada pelo Eu. Como isso funciona? Veja:

Joana é uma mulher bonita, mas acima de tudo elegante. A elegância é uma taça de vinho. Sente-se e aprecie.

Mariana também é uma mulher bonita, mas bonita diferente. Ela malha, ela corre, ela yoga. Tudo em nome do belo corpo que tem. Alguns diriam linda, outros gostosa. Eu apenas digo, uma cervejinha.

Certo dia, Joana foi ao shopping, precisava tirar dinheiro com o namorado, pois estavam fazendo três anos de namoro. Mas a vida é uma caixinha de surpresas. Drummond diria: “No caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. Eu, a primeira pessoa, digo:  “No caminho tinha uma liquidação, uma liquidação tinha no meio do caminho.” Ela parou e olhou, Dalmo seu namorado ficou ao seu lado, procurando algo interessante. E não é que achou. Lá dentro estava a bela Mariana concentrada nas roupas, ao lado do seu namorado Marcos, que também procurava algo interessante. E não é que achou. Só que estava fora da loja, a bela Joana.

Por questões de segundos, Dalmo contemplava a namorada de Marcos e Marcos contemplava  a namorada de Dalmo. Mas os segundos passam, e de repente os dois estavam se encarando, paralisados, com a cara feia e os punhos fechado… quando:

– KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK!

– KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK!

As namoradas olharam seus respectivos namorados sem entender. Os dois caíram na gargalhada. Eles, as terceiras pessoas, pensaram: “Nunca estamos satisfeitos!” Eu, a quinta pessoa, pensei: “Já tomei uma cerveja de vinho!”

Já é Natal

Dia 1º de Dezembro, eu diria oficialmente que já é Natal. Imagino que todas as casas e locais públicos já tenham providenciado sua decoração a caráter.

Ah, como eu gosto do Natal. É a época que magicamente incentiva as pessoas a se confraternizem umas com as outras. Faz com que todos fiquem mais próximos uns dos outros; mais próximos até de quem não conhecemos muito bem.

A cidade fica linda, as pessoas se confraternizam, fazem amigo ocultos e afins, trocam presentes, familiares se reencontram depois de um tempo sem se verem, pessoas presenteiam quem gostam e são presenteadas também, crianças fantasiam sobre a existência de um velhinho bondoso que entrega presentes nas casas no calar da noite, corais fazem serenatas de natal ao ar livre, dia 24 é o dia de comer como se não houvesse amanhã, e quem não adora comer os “restos do barão” (como diz minha tia) no almoço do dia 25??

Essas coisas e muito mais são o motivo do Natal ser uma época tão legal. Porém, tem uma coisinha que é a minha preferida.

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