O Tango e sua história

Adoro quando o blog ganha colaborações interessantes… Deu até vontade de aprender a dançar tango depois de ver os vídeos, haha! 🙂

por Luiz Fernando

Con permiso… ¡Yo soy el Tango…!

Yo soy el tango que llega por las calles del recuerdo…
¿Donde nací? Ni me acuerdo, en una esquina cualquiera.

Una luna arrabalera y un bandoneón son testigos.
Yo soy el tango argentino, cuando guste, ¡cuando guste y donde quiera!

 

Com licença… Eu sou o Tango!

Eu sou o tango que chega pelas ruas das lembranças…

Aonde nasci? Nem me lembro, em uma esquina qualquer.

Uma lua suburbana e um bandoneón são testemunhas.

Eu sou o tango argentina, quando goste, quando goste e onde queira!

(Letra de Gotan Project, Inspiración, La Cumparsita)


 

Complexo por natureza e heterogêneo por formação, o tango é hoje muito mais do que uma música, uma dança. Gerado nos berços híbridos da região do Rio da Prata, o estilo tango obteve suas várias facetas e formas, acrescentando a si a cultura de quem direto ou indiretamente o formatou.

Explicar o tango a quem não o conhece de verdade é muito difícil. Dança sensual, música bem construída, movimentos firmes e elegantes, letras pesadas e técnicas avançadas, todos são visualizações superficiais do tango que apenas definem o visual e o audível. O tango vai além, entra no âmago do espírito de quem o ama, transforma a vida de quem o deseja. Caminhar é tango, se relacionar também. Pensar, sentir, beijar, amar, conversar, trabalhar, sonhar, tudo isso é ser tanguero. A dança e a música são apenas instrumentos da vida e reflexos de quem vive o tango.

Mesmo destrinchando o tango como forma de vida complexa, intocável e invisível – porém visual, audível e sensível – deve-se pelo menos contar a trajetória tanguera. Vinda do mais obscuro chegando até o topo mais brilhante, a trajetória do tango é marcado por aqueles que efetivamente viviam e construíam o tango. Matos Rodríguez, el de La Cumparsita, Carlos Gardel, o rei do tango, Ángel Villoldo, o palhaço, Aníbal Troilo, Pichuco, Osvaldo Pugliese, Fresedo, Di Sarli, Francisco Canaro, Alberto Podestá, Juan D’Arienzo, Héctor Varela, Astor Piazzolla, entre vários outros maestros personificaram a trajetória que sai dos bairros negros de Buenos Aires e Montevidéu até as grandes óperas de Paris e Berlim.

Entretanto, antes do esplendor, as partes do tango eram divididas, ainda não concentradas, tampouco fundidas. Os negros escravos, com o Candombé; os gaúchos e as tradições dos pampas; os sons e movimentos populares dos imigrantes italianos e franceses; as raízes fortes dos colonizadores espanhóis, todos deram, num dia desconhecido e num bairro de qualquer cidade da região do Rio de la Plata, origem ao que pouco a pouco se tornaria o tango.

A personalidade do tango aderiu a si três – e atualmente quatro – personalidades. A primeira é seu viés tradicional, cantado ou não, com tons de tristeza, dor, satisfação, dificuldades, abandono, contando histórias amargas, experiências lamentáveis, vivências fatídicas. Assim vem, paralelamente, seu caráter alegre, com a Milonga, sua segunda personalidade. Rápida, marcada, contente, com histórias engraçadas que às vezes volta à nostalgia ou à lamúria, com sonoridade ativa.

A terceira é o tango vals, que segue os padrões tangueros, unindo-o à valsa. Formal, mescla da estrutura tanguera com a música tradicional europeia, que pode seguir alegre ou triste, cantado ou orquestrado, nostálgico ou inovador. A quarta personalidade nasce na segunda metade do século XX, em principal com um artista contemporâneo muito conhecido: Astor Piazzolla. É polêmica, pois seu caráter inovador causa dúvidas e contraposições, e sua expansividade parece sem precedentes. Mistura formas tradicionais, incluindo os instrumentos mais marcantes do tango, como o bandoneón, com outras distintas, tais quais o jazz, o rock e até a música eletrônica. Atualmente, tal faceta é chamado tango novo.

Assim, pois, desenvolveu-se o tango. Universal e versátil, pois a própria raiz de sua formação era assim. Hoje se dança e escuta tango da mesma forma em todo o mundo. O estilo chegou a esse patamar: Buenos Aires, Barcelona, Nova Iorque ou Tóquio, todos vivem tango da mesma maneira. Pois tango é mais que uma pessoa, canção, dança ou traço cultural; é sentimento, vida.

Sugestão de vídeos para vocês verem os estilos de tango:

Milonga

Tango Novo

Tango Vals

Tango Tradicional


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6 respostas em “O Tango e sua história

  1. Texto legal. Quem tem vontade de conhecer, com certeza dá uma visão bem ampla. Tenho que confessar que ao ver o trecho abaixo pensei no sertanejo. Será que seremos conhecidos lá fora por esse ritmo também? 😛

    “A primeira é seu viés tradicional, cantado ou não, com tons de tristeza, dor, satisfação, dificuldades, abandono, contando histórias amargas, experiências lamentáveis, vivências fatídicas.”

    • Legal o comentário. Não sei se um dia o sertanejo chegará a este nível. Particularmente, creio que não, pois há um ponto diferencial entre o tango e outras “músicas” e “danças”. Isso é, houve uma grande exportação do tango e apreciação geral das nações maternas que o cultivam até hoje, de forma detalhada e cuidadosa. Não creio que haja isso nem com o samba, nosso “carro-chefe”.

  2. Querido Luíz, o texto está bem escrito, as informações são consistentes e bem colocadas, gostei muito =D Mas não entendi como o tango pode ser versátil e ao mesmo tempo não se modificar quando entra em contato com outras culturas…

    • Quando comentei sobre a versatibilidade do tango quis expressar o quanto ele pode ser muitos (quatro) e ser universal, ser dançado e escutado da mesma forma em todo o mundo.^^

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