Ócio literal – nada criativo

Universidade em greve significa, além da falta de aulas, falta de convívio social diário, falta de exercitar a mente diariamente. Sim, isso faz falta; sinto falta de ter que fazer trabalhos e provas, de ter milhões de textos pra ler para o dia seguinte. Não, não é um tipo de “férias aumentadas” como muitos dizem por aí. Férias é férias, o que significa ser o momento de descanso depois de um longo período de trabalho. E assim sendo, ter férias só faz sentido depois de um longo período de trabalho, duh.

No nosso caso, pobres alunos que também estão de greve, estamos tendo um longo período de férias, o que naturalmente pede por um período de trabalho. Usando palavras bonitinhas, estamos no ócio, no sentido mais real da palavra. Tipo mentes sedentárias: já tiveram essa sensação?

É uma sensação ruim. Se você é um dos que almejam “sombra e água fresca”, já aviso logo: perde o sentido se você tem somente sombra e água fresca. O fim de semana só é fim de semana porque antes dele veio uma semana inteira de labuta. Tanto é que em períodos de férias todo dia é fim de semana e não há aquele frisson de espera pela sexta à noite ou pelo sábado.

Enfim, imagino que o estado de ócio profundo, não fazer nada somado à falta de exercício da mente, o deixa completamente inútil. Os pensamentos não fluem, a preguiça reina e é só uma questão de tempo até que você vire um vegetal, babando na frente do PC assistindo seriados ou com a tela do Orkut aberta mesmo.

Quando pensei nesse post, lembrei do famoso livro entitulado O Ócio Criativo, do italiano Domenico De Masi. Fiquei curiosa e coloquei o termo no Google, afinal talvez ele possa me dar dicas de como transformar meu ócio em algo criativo, como na época dos grande filósofos gregos, os quais praticavam o ócio para permitir que os pensamentos fluíssem.   

Foi então que me surpreendi com a teoria do cara. É simplesmente genial e maravilhosamente equilibrada [eu atóron coisas equilibradas, hehehe]. Em linhas gerais, ele define o conceito de trabalho como uma interseção equilibrada do trabalho (as funções necessárias do cumprimento da tarefa), do estudo (a possibilidade de se obter conhecimento constante através dos recursos oferecidos pela sociedade, como livros, internet, etc) e do jogo (espaço lúdico de lazer, brincadeira e convivência que deve estar presente em qualquer atividade que se faça. É a forma de evitar a mecanização do trabalho, dando-lhe “alma”). Gênio!!

Essa forma de trabalho é uma adaptação para a sociedade contemporânea, proporcionando mais alegria e produtividade para o trabalho. É mais ou menos a maneira como a Google direciona seu método de trabalho/criação com os empregados. Na Googleplex os empregados são encorajados a gastar 20% do seu tempo de serviço com atividades do próprio interesse, por exemplo. Sem contar que o prórpio espaço físico aspira diversão e descontração. Aqui tem mais informações interessantes sobre isso.

Sala de reuniões na Googleplex

Legal demais, né? To aqui tentando criar meu próprio ócio criativo, pesquisando para postar no blog, ao mesmo tempo que gasto meu tempo com o trabalho e com lazer. Tudo para não cair no estado vegetativo do ócio literal, que não é nada criativo.

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10 respostas em “Ócio literal – nada criativo

  1. Lu, nesse ócio criativo você pode criar uma empresa like google e me contratar! Eu aceito! Acho que Felps, vulgo DF50 (porque eu ainda não sei, mas um dia a gente descobre.. 😛 ), tb.
    Bjos!

    • Só complementando.. Recebi o link para notícia depois de ler o post.

      “Till recently graduating seniors had two choices: get a job or go to grad school. I think there will increasingly be a third option: to start your own startup. But how common will that be?”

      Trecho retirado desse artigo aqui:
      http://www.paulgraham.com/mit.html -> A Student’s Guide to Startups

  2. Lu, você definiu de forma simples o que eu sinto quando estou a toa, no ócio total. Acho que o mais difícil é a disciplina de manter o cérebro malhado. Eu fico pensando “Poxa, se eu tivesse passado, agora estaria a toa.” Mas refleti e conclui que não seria bom estar sem fazer nada, depois de um semestre suado pra entrar na Universidade Pública (sem contar que fiquei abalada quando saiu o resultado e eu pensei que iria perder um semestre da minha vida estudando de novo…) e também, estudar matérias do ensino médio não é tão ruim. =]

    Beijos

  3. Cocoli, a Lu faz parte dessa bandidagem, dessa quadrilha. Tenho certeza que é a pior besteira do MUNDO, mas vamos descobrir do que se trata =D
    E vale ressaltar que isso é coisa de gente ociosa (essa palavra existe? hehe)

    =***

    • Pior que deve ser uma coisa muita ridícula msm, do tipo que é melhor nem falar. Aí quando descobrirmos, iremos dizer: “Mas era só isso?”. Quando se faz mistério de mais, é pq no final das contas a parte mais interessante da história era o mistério, isto é, quando as pessoas não sabiam e queriam muitooo saber.

  4. bando de à toa… :b
    só sei de uma coisa, a gente nunca tá satisfeito com o que tem. quando as aulas voltarem, eu vou ser a primeira a falar que tá morrendo de saudade da greve…

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